Polícia do Pensamento

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Vivemos em uma Democracia plena, onde os direitos fundamentais estão em posição de destaque na Constituição Federal, onde todos são iguais perante a lei, onde é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença, onde todos têm liberdade de expressão e de opinião.
E quando esses direitos são tolhidos ou ameaçados, há um grande aparato de órgãos públicos e privados que buscam a garantia imediata do restabelecimento desses direitos fundamentais.

E todas as pessoas têm os mesmos direitos, ainda que façam parte de uma minoria da sociedade brasileira. Se tiverem tolhidos ou ameaçados seus direitos pelo simples fato de fazerem parte de um grupo minoritário haverá inúmeras pessoas, representantes de órgãos públicos ou da Sociedade Civil organizada para lutar para que esses direitos lhes sejam restabelecidos.

Tudo transcorreria na mais perfeita ordem se não fosse por um pequeno detalhe: nem todos são iguais perante a lei, nem todas as pessoas são consideradas cidadãos, pelo menos de primeira linha, nem todas as minorias são defendidas por órgãos públicos ou pela Sociedade Civil organizada, nem todos os brasileiros têm seus direitos mais básicos assegurados ou sequer reconhecidos pela sociedade.

Refiro-me aos policiais militares, categoria minoritária no Brasil que trabalha diuturnamente, com o compromisso extremo (e exclusivo) de sacrificar a própria vida se preciso for para garantir os direitos de cidadãos que sequer conhece, mas que não pode usufruir desses mesmos direitos que defende, que se empenha com todas as suas forças para manter a democracia do país e todas as suas benesses à população, mas não pode exercê-la como qualquer pessoa do povo.

Esse descaso com os policiais já vem de longa data, observa-se quantas referências se faz, com toda justiça, ao direito do voto que só foi dado às mulheres brasileiras em 1932; os índios têm direito ao voto desde 1973, se exalta o direito do sufrágio alcançado tardiamente pelos analfabetos em nosso país no ano de 1985, porém ninguém se lembra que a última categoria de brasileiros a receber o sagrado direito de eleger seus representantes foram os soldados e cabos das Polícias Militares, somente brindados com esse direito básico na promulgação da Constituição Federal de 1988.

E essa mesma Constituição, em seu artigo 5º determina que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, e que é livre a manifestação do pensamento e expressão, sem qualquer tipo de censura, porém o que se viu recentemente na maioria dos meios de comunicação nacionais é justamente o cerceamento da liberdade de expressão e pensamento do Tenente Coronel Motta, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, em trechos extraídos de sua página pessoal de rede social da Internet (publicação particular, sem qualquer vinculação com sua atividade profissional).

Taxado como verdadeiro criminoso, o comentário cujo teor soava como “terrível” aos integrantes da mídia era somente o compartilhamento de uma frase referente a uma manifestante que supostamente sofrera uma lesão em uma manifestação nas ruas de São Paulo. A frase dizia que “quem planta rabanetes colhe rabanetes”, referindo-se a uma frase da suposta vítima, anteriormente publicada em sua página de rede social, defendendo a ação violenta em manifestações populares, numa clara referência à frase da sabedoria popular “violência gera violência”, concluindo que todas as pessoas que apoiam e praticam a violência em manifestações populares têm grande probabilidade de serem ferid os por essa própria violência que defendem e/ou praticam.

Pode-se não concordar com a frase publicada, pode-se até achá-la inconveniente, mas não se trata de nenhum crime o seu compartilhamento, não há incitação à violência ou a prática criminosa alguma, e se há “ironia”, como os meios de comunicação divulgaram, essa ironia está justamente no fato de que uma pessoa que exalta a violência nas ruas, e a consequente possibilidade de produzir ferimentos ou até a própria morte em terceiros (como já ocorreu em atos violentos nas ruas brasileiras como os defendidos pela menina), seja a vítima dessa mesma violência, deixando claro que até o momento não há prova alguma de que o objeto que a atingiu tenha partido da força policial ou de algum artefato arremessado pelos manifestantes.

Mas, independentemente da prática ser ou não criminosa, o Ten Cel Motta já foi punido, está afastado das ruas de São Paulo durante manifestações e seu nome está sendo exposto e escrachado nos mais diversos meios de comunicação, com comentários maldosos e até pedidos de que a sua punição seja muito mais severa.

Qual a categoria de cidadãos pode ser punida sem o cometimento de delito algum? O policial postou uma opinião em uma rede social com o seu nome particular, em momento algum suas opiniões retrataram sua função profissional. Em dezenas de manifestações em que trabalhou, assim como em todas as suas atividades profissionais o Ten Cel Motta sempre agiu com imparcialidade, tanto que não há sequer uma queixa contra ele a esse respeito.
Ainda assim aqueles que teriam a obrigação profissional e moral de ofertar à população uma informação isenta, mostrando todos os lados da questão à população, insistem em agir como a famosa “polícia do pensamento” da obra do escritor George Orwell “1984”, em que o crime terrível cometido era o simples ato de pensar e expressar a sua opinião. Jornalistas, que deveriam defender o direito ao pensamento e à opinião agem justamente como os censores a serviço de ditaduras cruéis, que outrora tanto criticavam.

Defender o direito do Ten Cel Motta à sua opinião é defender os direitos de todos os policiais militares, todas as minorias, todos os cidadãos. Não podemos nos calar diante da tirania da imprensa que insiste em classificar os policiais militares como cidadãos de segunda classe, jogando ao chão os mais basilares princípios da Democracia.

Fonte: Texto de José Eduardo Bexiga, Cel Res PM
(14/09/2016)
Categoria:
  Notícias
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