Declaração por São Paulo

Publicado por Adriana 4 anos atrásNenhum comentário

Declaração por São Paulo

 

Conheço as dificuldades dessa cidade grandiosa, coração do país, cheia de vida, de gente e, por isso mesmo, de desafios também monumentais. Todos esperam dela melhores condições para a segurança, para a educação, para a saúde, para o trabalho, com menos trânsito e mais qualidade de vida.
Mas, como posso deixar de amar um lugar que, mesmo com as dificuldades contemporâneas, ainda está aberto para receber quem quer que chega, do estrangeiro ao imigrante brasileiro?
Como não amar a Capital da esperança dos nossos antepassados portugueses, italianos, japoneses e representantes de tantas outras nações que, nesse lugar, encontraram condições para progredirem com a força do seu trabalho?
Como deixar de amar a cidade que, ainda em momentos de dificuldade econômica, oferece oportunidades na área pública ou privada, nas iniciativas do comércio e da Indústria, no meio acadêmico, ou até na informalidade?
Como deixar de amar a cidade que concentra cultura e arte nas suas mais variadas expressões e é o motor do desenvolvimento do país?
Como deixar de amar a Capital do Estado de São Paulo, que traz consigo a história dos pioneiros bandeirantes, símbolo dos paulistas que, já no século passado, com orgulho defenderam ideais constitucionalistas na revolução de 1932 preservados na sua força policial de lealdade e de constância?
Como deixar de amar São Paulo que reúne tanta gente boa e sofrida que, sendo obrigada a superar diversos obstáculos, orgulha-se de sua honestidade?
E, enfim, como deixar de amar São Paulo cheia de vida, de pulsação, de concentração de tudo o que há de bom, na mesma proporção daquilo que não nos agrada…
Essa complexidade de valores convivendo em uma espécie de harmonia em meio ao caos de tons acinzentados, tal como os casarões de outrora que trazem imagens do passado entre os incontáveis arranha-céus que nos despertam para a modernidade, é sua marca de cidade grande.
E complexos também são os sentimentos de quem convive com essa forja de estilos, culturas e povos, assistindo ao encontro dos opostos, no tempo e no espaço, no dia-a-dia da movimentada urbe: a pobreza e a riqueza, a alegria e a tristeza, a saúde e a doença, enfim, um casamento que já dura tanto tempo.
Sim, amo São Paulo pelas suas virtudes, mas lembrando sempre de suas imperfeições. Vou enxugar a garoa que caiu no meu rosto e passear por um cruzamento de vias com dois sentidos, como foi um dia o da Ipiranga com a Avenida São João.
Quem conhece São Paulo sabe do que estou falando.

 

Adilson Luís Franco Nassaro
Coronel PM Chefe do Centro de Comunicação Social PMESP (CComSoc).

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  Notícias
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