DECEPÇÃO E DESILUSÃO

Publicado por Camila Goulart 4 anos atrás1 Comentário

DECEPÇÃO E DESILUSÃO

Diferente do que sempre faço, não vou assinar este artigo com a designação da minha patente e do cargo que ocupo: escreverei como cidadão, assumindo, todavia, a inteira responsabilidade por tudo que abordarei, até porque, os que me leem sabem quem eu sou e o que eu faço.

A imprensa tem noticiado que na próxima terça-feira (6/12) deve ser encaminhado pela presidência da República o texto base da Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que tratará da reforma da Previdência no Brasil.

A matéria deve ser então analisada pelos Parlamentares e, ao que tudo indica, votada e aprovada ainda em 2017.

A reforma, pelo que se comenta será muito ampla e atingirá trabalhadores da iniciativa privada e do setor público, deixando apenas para um segundo momento os “militares”: não todos, mas apenas os da esfera federal, os membros das Forças Armadas.

Incoerente, sob minha ótica, excluir de uma abordagem específica também os MILITARES Estaduais: embora usemos o adjetivo “militar” no nome das nossas Instituições, Polícias e Bombeiros Militares, pelo que se depreende, não são de fato “militares”…ou seriam, assim como são “meias polícias” (realizam ciclos segmentados), também “meios militares”.

Sabemos todos que foi a pressão dos Governadores (encabeçada pelo Governador Pezão, do Estado do Rio de Janeiro e assimilada por todos os demais) que fez com que policiais e bombeiros militares tivessem a sua Previdência abordada no contexto das dos demais trabalhadores.

Uma grande injustiça, para não dizer uma verdadeira “virada de costas” para quem sempre serviu e protegeu o cidadão!

O argumento que estão colocando os governadores é o de que as Polícias e Bombeiros tem muitos Coronéis e que eles ganham muito e se aposentam cedo: isto é uma falácia, uma mentira, que foi criada e está sendo difundida para enganar a opinião pública!

Em São Paulo por exemplo, muitos Coronéis da reserva chegaram a este posto pela chamada “lei do posto imediato”. Este foi um “remendo” criado pelo próprio governo para minorar efeitos indesejados de um desatrelamento salarial que houve entre Delegados de Polícia e Oficiais da PM, que até então tinham paridade de vencimentos. Foi um verdadeiro “cala boca”, que agora está sendo cobrado como se fosse um privilégio.

Um coronel da PM ganha salário inferior a um jovem Defensor Público de 23 anos, recém aprovado num concurso público; ganha muito menos do que um jovem Promotor, Juiz ou Procurador do Estado, no primeiro dia da sua carreira.

Mas um oficial da PM atinge o coronelato com 29, 30, 31, 32 anos de carreira: antes ele foi Tenente, Capitão, Major e Tenente Coronel e os seus vencimentos…ah, deixa para lá…melhor nem comentar!

Citar os Coronéis da PM como o problema do deficit da Previdência nos Estados e sequer cogitar sobre os altíssimos salários dos membros do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e de algumas carreiras do Poder Executivo, como os Procuradores do Estado, Fiscais de Renda Estadual, Defensores Público, no mínimo é estranho!!!

Os militares do Estado, assim como os Federais, não tem direito à greve, à sindicalização, podem ser mobilizado a qualquer tempo, exercem uma atividade de extremo risco (infinitamente maior do que os membros das Forças Armadas: basta comparar o número de mortos em serviço de cada Instituição), não tem fundo de garantia, sujeitam-se a escalas quase “desumanas” de trabalho, enfim, são especiais e deveriam ser, por tais razões, tratados como exceção.

Estamos sendo abandonados pelos nossos governantes e também por aqueles de quem achávamos sermos “irmãos de armas”: a verdade que se mostra é que, diante de riscos a direitos, o que vale é “cada um para si”!

Se as mudanças ocorrerem como pretendem os governantes e políticos a pergunta que deve ficar para a sociedade responder é a seguinte: “quem vai ser o louco que vai querer ser policial ou bombeiro no Brasil?”.

O sentimento que me toca é o de decepção, assim como devem estarem se sentindo os demais irmãos, oficiais e praças das PMs e BMs: decepção com a classe política, com os governantes e com as outras Instituições Militares, que nos renegaram.

O meu sentimento é de desilusão: se aprovado o “pacote de maldades” contra os policiais e bombeiros militares, não sei o que será da segurança pública neste país!

Assim eu penso!

Figueiredo

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Um Comentário

  • Augusto Reis Montemor says:

    Onde está a Casa Militar, onde estão os assessores militares? Para que serve a Casa Militar ? Que assessoria dão ao Governador? Abrir e fechar portas?

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