As 150 cidades mais violentas do Brasil

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São Paulo – Reduto de destinos paradísiacos como a Praia do Forte e a Costa do Sauípe, o município de Mata de São João, no litoral norte da Bahia, acaba de ganhar um alarmante título: o de cidade com o maior número de mortes por armas de fogo no Brasil.

A conclusão é do Mapa da Violência do Brasil – 2016, que analisou crimes do tipo cometidos entre 2012 e 2014 em cerca de 3 mil municípios brasileiros que juntos concentram 98% dos homicídios do país.

No topo do ranking está Mata de São João com a taxa média de 102,9 mortes por armas de fogo para cada 100 mil habitantes. Não é de hoje, contudo, que a cidade aparece nos primeiros lugares da lista. Na última edição do estudo, com dados de 2010 a 2012, o município ficou em quinto, com 93,1 homicídios por 100 mil habitantes.

A elevada violência na cidade pode ser explicada por aquilo que o autor do estudo, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, chama de “turismo predatório”. “Esse é um dos municípios com grande visitação nos finais de semana. Muitas pessoas vão para lá para beber ou festejar, ou seja, tem muito álcool, drogas e isso aumenta a violência nesse entorno”, afirma Waiselfisz, que é coordenador da área de estudos da violência da Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais.

O Nordeste é a região do país que abriga o maior número de cidades violentas que aparecem no Mapa. Na edição de 2016, as seis primeiras posições são ocupadas por municípios nordestinos.

Atrás de Mata de São João, figuram Murici e Satuba, ambos em Alagoas, em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Conde (PB), Eusébio (CE) e Pilar (AL) seguem entre a 4ª e 6ª posição.

Alagoas é o estado que possui a maior proporção de cidades entre as mais violentas do país. Dos 102 municípios alagoanos, 27 estão no ranking — um total de 26,5%. Ceará e Sergipe aparecem em seguida com 10,9% e 10,7%, respectivamente.

Para Waiselfisz, o aumento da violência no Nordeste nos últimos 15 anos é uma consequência direta do fortalecimento da segurança, especialmente, nos grandes centros metropolitanos do Sudeste. “O criminoso passou a ir para áreas que têm dinheiro, mas com polícia fraca e despreparada, por isso algumas regiões nordestinas passaram a subir no ranking”, diz.

Além do turismo predatório no litoral e dos novos polos de crescimento nas cidades do interior, o mapa aponta outras características da violência local no Brasil.

Uma delas é a zona de fronteira internacional, onde há concentração de rotas de contrabando de armas e tráfico de drogas. Nessa categoria estão, por exemplo, a cidade de Coronel Sapucaia (MS), que sempre ocupa lugar de destaque nos mapas da violência. Na edição, ela figura em 68º.

Outra zona de risco é o “arco do desmatamento amazônico”, locais onde projetos agrícolas e de grilagem de terra levam ao extermínio de populações locais, como foi encontrado pelo estudo na cidade de Colniza (MT).

Planejamento

Desde 1998, o ranking da violência não apresenta mudanças significativas no conjunto de cidades que abriga. Para o pesquisador, isso é um sinal claro de falhas no planejamento. “O que falta é uma política nacional de enfrentamento da violência, pois não é possível combater um problema nacional com políticas locais”, explica Waiselfisz.

Para ele, também é necessário investir mais para reverter esse cenário. “Hoje estamos dando poucas gotinhas para ver se essa febre passa, mas tem que dar mais remédio”, afirma.

Do método

Neste ano, o ranking das cidades mais violentas do país inclui a média dos homicídios por armas de fogo de 2012, 2013, e 2014 — os últimos com dados disponíveis. Essas estatísticas foram comparadas com a média das estimativas de população nesse período.

Foram consideradas apenas cidades com mais de 10 mil habitantes, um total de 3.084 municípios, de acordo com dados do IBGE. Esses locais concentram 98% do total de homicídios por armas de fogo do país.

Acesse e Veja a lista completa das 150 cidades mais violentas do Brasil 

Fonte: Exame.com
(26/08/2016)
Categoria:
  Notícias
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